O Vale do Jequitinhonha conhece bem os ciclos da promessa. Ao longo da história, diferentes projetos de “desenvolvimento” chegaram à região anunciando progresso, riqueza e prosperidade. Vieram o ouro e os diamantes, o algodão para exportação, os monocultivos, o eucalipto e a mineração. Hoje, o território volta a ocupar posição estratégica no cenário global com a expansão da exploração de lítio.
Considerado mineral fundamental para a chamada transição energética, o lítio é utilizado em baterias de carros elétricos, celulares, sistemas de armazenamento de energia e até armamentos. O Brasil ocupa atualmente o 6º lugar no ranking mundial de reservas, e cerca de 85% delas estão concentradas no Vale do Jequitinhonha, transformando a região em uma das principais fronteiras dessa nova economia mineral.
Mas o Vale é muito mais do que suas riquezas subterrâneas. Este território é também casa de povos indígenas, comunidades quilombolas e povos tradicionais que, há séculos, constroem formas próprias de viver, produzir e cuidar da terra, preservando saberes, práticas culturais e relações profundas com a sociobiodiversidade.
Zona de Sacrifício: do Ouro ao Pó nasce da convivência, da escuta e da observação atenta do território. As imagens reunidas nesta exposição registram paisagens, pessoas e memórias atravessadas por mais um ciclo de exploração.
Lembrar, aqui, é também um ato político. Preservar histórias, saberes e modos de vida é afirmar identidades e confrontar estruturas que historicamente tentaram apagá-las.
Esta exposição fala de memória, território e resistência.